Músicas e Coreografias da Mostra Artística

A Mostra Artística “Danças Circulares das Diversidades em Performances” ocorreu durante meia hora, tempo concedido n dia 2 de agosto de 2012, na UFBA (Salvador – BA) pela organização do VI Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero.

Nesse tempo, foram explicadas brevemente o que eram as Danças Circulares, sua história e seus objetivos, além de terem sido realizadas as danças detalhadas abaixo. Em seguida, houve um pedido de avaliação da atividade, que foi aplaudida e elogiada pelos que participaram e pelos que assistiram, contando com comentários e sugestões que estamos incorporando aos nossos trabalhos.

Músicas e danças da Mostra Artística Danças Circulares das Diversidades em Performances

(2 de agosto de 2012, Pavilhão Glauber Rocha, PAF 3, Campus Ondina, UFBA, Salvador – BA):

1) Highland Lilt

Origem: Escócia

Coreografia: Bernhard Wosien

Formação: Círculo

Mãos: em V

Início: Com a letra da música

A música e a coreografia foram transmitidas por Guataçara Monteiro e João Paulo Pessoa no Curso de Formação de Focalizadores de Danças Circulares (Espaço Guataçara Brasil, Jacareí, SP, 2012). A fonte de aprendizado deles foi a educadora e focalizadora Sonia Lima (também presente como convidada no mesmo curso) que, em  2003, apresentou-os Highland Lilt como uma música que partia das tradições folclóricas das lavadeiras escocesas e que foi coreografada por Bernhard Wosien.

A dança acontece por meio de uma sequência de passos simples: nos posicionamos de mãos dadas, dando dois passos para a direita e, em seguida, balançando, com a perna esquerda e a direita, de frente para a roda, também por duas vezes. Ao longo da dança, o/a focalizador/a pode soltar uma das mãos e conduzir os participantes do círculo pelo espaço, serpenteando, formando espirais e retomando o círculo ao final. É uma música que mescla o caráter folclórico e étnico com um aspecto meditativo, pois a beleza da melodia ritmada e a simplicidade dos passos da dança favorecem a concentração, a integração e a atenção a si mesmo, aos outros e ao grupo.

2) Ha Po Zamani

Origem: África do Sul – interpretada por Miriam Makeba

Coreografia: Fleur Barragan – 2010

Formação: Círculo

Mãos: braços em V

A música e a coreografia foram transmitidas por Guataçara Monteiro e João Paulo Pessoa no Curso de Formação de Focalizadores de Danças Circulares (Espaço Guataçara Brasil, Jacareí, SP, 2012). A fonte de aprendizado deles, em 2010, foi a focalizadora Fleur Barragan, sul-africana residente em Córdoba, Argentina.

A dança acontece por meio da seguinte coreografia: um passo para a direita com a perna direita, que logo se junta a um passo dado pela perna esquerda, projetando os quadris para cima e impulsando-os para a frente. Esse movimento é repetido por quatro vezes, para a direita, quando então os/as participantes se posicionam de frente para o centro da roda, dando, em seguida um passo para a frente com a perna direita, reposicionando-a ao lado da esquerda, para, logo depois, dar um passo para frente com a perna esquerda. Retoma-se então o início da sequência apresentada, até o final da música.

Essa música é contagiante, e dançamos com muito movimento e alegria, celebrando a graça e a beleza da cultura africana. Segundo alguns estudiosos, a letra (num dialeto sul-africano) é um lamento, sendo que Ha Po Zamani significaria “no passado” ou “tempos atrás”, e quem canta fala de um tempo em que essa pessoa não era assim, tendo sido vítima dos efeitos do álcool. Alguns interpretam essa música como um lamento e um protesto sobre as transformações negativas que a colonização e os colonizadores trouxeram para a África. O fato é que Miriam Makeba foi uma grande diva da música africana, sendo expulsa de seu país quando lá existia oficialmente a segregação racial entre negros e brancos, o apartheid, contra o qual lutou seu povo, liderado pelo famoso Nelson Mandela, que passou décadas na prisão antes de ser libertado e se tornar presidente oficialmente eleito da África do Sul. Miriam Makeba foi então convidada a retornar ao país, sendo reconhecida em todo mundo como uma das grandes artistas e ativistas contra o racismo, símbolo da força da cultura dos povos africanos.

3) Sóis

Origem: Brasil /Autor: Sérgio Cassiano. Interpretada pelo Grupo Mestre Ambrósio (CD – Terceiro Samba)

Coreografia: Cristiana Menezes – 2008

Formação da Roda: Circulo

Mãos: braços em V e depois ao alto, quando ao centro, no refrão

Início: Esperar 32 tempos

A música e a coreografia foram transmitidas por Guataçara Monteiro e João Paulo Pessoa no Curso de Formação de Focalizadores de Danças Circulares (Espaço Guataçara Brasil, Jacareí, SP, 2012). A fonte de aprendizado deles foi a focalizadora e bailarina mineira Cristiana Menezes, em 2010.

A dança acontece com a seguinte sequência de passos: de frente para a roda e de mãos dadas, os/as participantes cruzam à sua frente a perna esquerda e reposicionam ao lado a perna direita, fazendo a roda girar para a direita. Em seguida, cruzam a perna esquerda para trás e reposicionam novamente ao seu lado a perna direita para, de novo, cruzarem a perna esquerda à sua frente e reposicionarem a perna direita ao seu lado. Com os pés paralelos e no mesmo lugar, pisa-se com a direita, depois com a esquerda, novamente com a direita, fazendo algo como um “balanço” para, em seguida, retomar a sequência inicial.

Quando se inicia o refrão (“Há muito sóis…”), todos caminham quatro passos para o centro da roda, erguendo as mãos dadas, e retornam quatro passos, abaixando as mãos dadas para, novamente executarem a sequência de passos descrita acima por uma única vez, dirigindo-se novamente ao centro, até terminar o refrão. Volta-se à sequência inicial por toda a música.

A música de Mestre Ambrósio fala de como há muito mais do que imaginamos e conhecemos no universo, do quanto temos por aprender e de como ficamos confusos nessa imensidão onde “há muitos sóis crestando entre as estrelas”. É uma música que remete à pluralidade e à diversidade das coisas, com influência da cultura nordestina em seu ritmo e melodia tão ricos e característicos, pontuados por rica percussão e por uma rabeca.

 

4) Music/ Impressive Instant

Origem: EUA/ Autora: Madonna. Interpretada por Adriana Calcanhoto e Daniel Jobim (CD Cantada)

Coreografia: Andrea Paula – 2012

Formação da Roda: Círculo

Mãos: braços em V

Essa música é interpretada por Adriana Calcanhoto e Daniel Jobim, com o acompanhamento de um piano, numa releitura bela e poética de uma das músicas mais famosas de Madonna, cantora pop mundialmente conhecida. A letra fala do poder da música em fazer as pessoas serem o que são, pois nos faz dançar, se misturar, independente de grupos sociais e econômicos. Assim, nos deixando levar pela música e para a dança, sem se importar com a hora, como se fosse um vento que nos carrega, algo que queremos sentir todos os dias. Para além disso, a releitura desse “clássico” da música pop evoca a questão das diversidades de gêneros e sexuais, pois Madonna é considerada um ícone da homocultura e das lutas pelos direitos dos grupos homoafetivos.

A dança acontece a partir da seguinte sequência de passos: de mãos dadas e de frente para o círculo, os/as participantes dão um passo para a direita e, logo em seguida, juntam os pés com um passo da perna esquerda, repetindo o mesmo movimento para o lado esquerdo.

Esse movimento se repete até o refrão (Music makes the people…), quando todos fazem um movimento circular com o corpo, girando a roda para a esquerda, ao cruzarem a perna direita à frente, pisarem com a perna esquerda, reposicionarem a perna direita ao lado e pisarem novamente com a esquerda para, em seguida, cruzarem a perna direita à frente novamente, reiniciando a sequência.

Essa música encerrou nossa Mostra Artística com grande entusiasmo e animação das pessoas, que aplaudiram e vivenciaram a alegria e a satisfação de dançarem juntas, sem medo de acertar ou errar, apenas dando as mãos e compartilhando os movimentos do seu corpo como forma de libertação, convívio, prazer e grande integração!

Observação: As coreografias das Danças Circulares que aprendemos nos foram repassadas por meio de uma notação gráfica, mas muitos focalizadores/as também fazem a descrição dos movimentos e passos para registrar as danças e novas coreografias, conforme nos foi transmitido pelos grandes bailarinos, artistas, educadores e focalizadores Guataçara Monteiro e João Paulo Pessoa, grandes divulgadores das Danças Circulares no Vale do Paraíba, em São Paulo.

Preferimos aqui fazer as descrições dos passos das coreografias, ressaltando que elas apenas são uma referência para as vivências em grupo, nas quais podemos experimentar de fato como dançar na roda, aprendendo mais sobre os movimentos do nosso corpo e das danças, suas histórias, ritmos, melodias e letras das músicas, entre outros aprendizados, tanto de autoconhecimento quanto de saberes sobre as diversidades das pessoas, dos povos e de suas culturas plurais.

Um pensamento sobre “Músicas e Coreografias da Mostra Artística

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